CANTANHÊDE, Luiza. Plantação de horizontes. Guaratinguetá, SP: Penalux, 2023.
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UM ARCO-ÍRIS NA CASA DESTRUÍDA
Entre o que fere
E o que mata,
A fé, eternamente exausta,
Gesta o que no corpo sangra
A vida
De dedo em riste
Anuncia a nossa
Trágica existência:
Prepara-te para
A fome
A bala perdida
O trabalho escravo
Os tapas na cara
O feminicídio.
Enquanto
O nosso peito
Sangra
As manhãs
Acolhem
O doloroso milagre
Do recomeço.
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INTERMEZZO
Não é apenas
Sobre meus pedaços
Jogados por aí.
Não é sobre
O desespero
Dos famintos;
Os disparos;
O menino preto
Apanhando da polícia.
Não é sobre a democracia;
Não é sobre o antilirismo;
A morte do amor.
É sobre esse bicho triste
Engaiolado em meu peito
Flertando com a aurora.
p
Luiza Cantanhêde nasceu em Santa Inês, no Maranhão. Poeta e formada em Contabilidade. Presidente da Academia Piauiense de Poesia; Diretora da Associação de jornalistas e escritoras do Brasil-MA; Vice-presidente regional da Academia Poética Brasileira; membro da Sociedade de Cultura Latina do Maranhão e do Mulherio das Letras. Publicou Palafitas; Amanhã, serei uma flor Insana; Pequeno ensaio amoroso, todos de poesia.